"INSTINTO SUPERIOR"
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HËM RICCI

MINHA HISTORIA
Da Fé Imposta ao Conhecimento Consciente: Minha Jornada de Transformação
Em 2002, minha vida era marcada por instabilidade, conflitos e silêncio interior.
Eu morava com minha mãe, minhas duas irmãs pequenas e meu padrasto, em uma casa onde os problemas financeiros e emocionais eram constantes. Minha mãe, sobrecarregada pelo trabalho, já não conseguia cuidar de mim como antes. Foi então que minha história começou a mudar: fui morar com meu pai.
Meu pai era evangélico. Passamos a viver na casa do meu avô paterno, ao lado da minha madrasta e de seus filhos pequenos. Foi nesse cenário simples e difícil que tive meu primeiro contato real com a espiritualidade. A igreja que frequentávamos chamava-se “Deus é Amor”, conhecida por sua doutrina rígida. Não podíamos assistir televisão, não tínhamos acesso a notícias, não acompanhávamos o mundo. Enquanto o país vibrava com a Copa do Mundo de 2002, eu vivia em um universo isolado — algo que hoje recordo com um misto de humor e reflexão.
Naquela casa, todos eram cristãos. Todos iam à igreja todos os dias. E eu, sem escolha, fui junto.
No início, resisti. Observava, julgava, questionava. Mas algo começou a mudar dentro de mim. Aos poucos, o ambiente, as palavras, os cânticos e os rituais começaram a tocar algo profundo em meu interior.
Até que, em um culto, um pregador chamado Josival Oliveira, conhecido como Val, apontou para mim diante de todos e disse:
“Você aceita Jesus como seu Salvador?”
Naquele instante, algo se rompeu dentro de mim.
As lágrimas vieram sem controle. O choro tomou conta do meu corpo.
Ali começou minha jornada espiritual.
Passei a ouvir atentamente as pregações e a ler a Bíblia, sobretudo as palavras de Jesus. Pela primeira vez, sentia que havia sentido na vida. O ambiente da casa do meu pai era simples, mas harmonioso. Não havia brigas, apenas silêncio, fé e dificuldades financeiras. Meu pai estava desempregado e dependia do meu avô. Minha madrasta, Fátima, fazia pães caseiros porque não havia dinheiro para comprá-los. Mesmo assim, nunca faltou o essencial.
Eu me sentia em paz.
Eu me sentia em casa.
Mas aquela paz durou pouco.
Minha mãe foi me buscar, pois precisava de mim. Eu chorei, supliquei, implorei para ficar. Meu pai, sem condições de me manter, nada pôde fazer. Antes de voltar definitivamente, ainda morei com minha tia Zélia, a quem sou eternamente grato. Contudo, o ambiente já não era o mesmo. Eu era introspectivo, silencioso, profundamente impactado pelas palavras de Jesus, e precisei me adaptar a uma realidade que não escolhi.
Quando voltei para a casa da minha mãe, afastei-me daquele universo espiritual que havia transformado meu interior. Os conflitos familiares retornaram. Os anos passaram.
Em 2010, conheci uma jovem chamada Deise — humilde, gentil e profundamente ligada à fé cristã. Ao mesmo tempo, reencontrei o desejo de voltar à igreja. Conheci a Assembleia de Deus e mergulhei novamente na vida religiosa. Eu chegava cedo aos cultos, sentava-me na frente, absorvia cada palavra. A fé voltava a ocupar o centro da minha vida.
Até que algo inesperado aconteceu.
Conheci os vídeos de Rubens Sodré, que questionavam as doutrinas cristãs. Aquilo abalou minhas certezas. Continuei assistindo, pesquisando, comparando. Procurei respostas na igreja, mas não as encontrei. Foi nesse momento que comecei a trilhar um caminho solitário.
Eu não conseguia mais fechar os olhos.
Não conseguia fingir que tudo estava certo.
Passei a estudar a Bíblia de forma independente, investigando suas origens, seus significados, os nomes hebraicos, os profetas, os discípulos e o nome de Deus — YHWH. Quando compreendi certas coisas, decidi sair da igreja.
Mas paguei um preço por isso.
Ao tentar compartilhar o que havia descoberto, fui chamado de louco, de desviado, de alguém que havia se afastado de Deus. Descobri, na prática, que buscar a verdade pode ser mais difícil do que aceitar respostas prontas.
Em 2014, saí da casa da minha mãe e fui morar com uma companheira. Com mais liberdade e silêncio, aprofundei meus estudos. O relacionamento terminou dois anos depois, e passei a viver sozinho. A solidão, paradoxalmente, tornou-se minha escola.
Então, em 2020, algo decisivo aconteceu.
Descobri minha vocação: a Numerologia Cabalística.
Esse encontro provocou uma mudança radical em minha vida. Conheci o trabalho de Carlos Rosa, um dos pioneiros da numerologia no Brasil. Sua visão, profundamente simbólica e esotérica, abriu para mim um novo universo de compreensão. Foi através dele que percebi que os números não eram apenas cálculos, mas linguagem do ser.
Logo depois, veio a pandemia. Sem emprego, fui obrigado a vender meus bens e voltar para a casa da minha mãe. Em meio às dificuldades, mergulhei ainda mais nos estudos. Fiz cursos, participei de aulas online, aprendi com mestres como Max Landske e, posteriormente, Rafà Almeida. Consegui acessar o curso avançado graças ao auxílio emergencial do governo. Ali, aprendi técnicas de análise de nome, assinatura e identidade simbólica — e apliquei tudo em minha própria vida.
Os resultados começaram a aparecer.
Pela primeira vez, senti que não estava apenas acreditando, mas compreendendo.
Mas foi em 2022 que minha visão mudou de forma ainda mais profunda.
Nesse ano, conheci um homem chamado Reinaldo Garcia, conhecido como Rei Garcia, um numerólogo quântico. Até então, minha visão da espiritualidade era predominantemente esotérica. Eu acreditava, sentia, intuía — mas ainda não havia desenvolvido um olhar verdadeiramente crítico e científico sobre a fé e as crenças.
O primeiro contato com Rei Garcia foi impactante.
Ele foi direto, objetivo, sem rodeios. Não foi arrogante, nem desrespeitoso — ao contrário, foi sincero. Mas sua forma de falar me causou estranhamento. Confesso que, no início, fiquei com o pé atrás. Suas palavras me pareceram duras demais.
Com o tempo, porém, comecei a refletir, pesquisar e analisar suas ideias com mais profundidade. Foi então que compreendi algo essencial: ele não estava tentando destruir a espiritualidade, mas libertá-la da ilusão, da manipulação e da ingenuidade.
Foi nesse momento que minha consciência mudou.
Eu não me tornei uma pessoa cética no sentido de negar o espiritual ou o transcendente.
Eu me tornei cético em relação à enganação.
Passei a questionar discursos que exploram a fé das pessoas, práticas que ludibriam para obter dinheiro, poder ou controle. Aprendi a diferenciar espiritualidade de ilusão, fé de fanatismo, conhecimento de crença cega.
Rei Garcia elaborou para mim um mapa numerológico quântico. Quando o recebi, fiquei profundamente impressionado. Pela primeira vez, vi a numerologia apresentada com lógica, estrutura e coerência com a realidade. Em 2023, fiz o curso de Numerologia Quântica com ele. Ali, compreendi que era possível unir espiritualidade e racionalidade, simbolismo e ciência, intuição e método.
Se Carlos Rosa representou para mim o lado esotérico, simbólico e intuitivo da numerologia, Rei Garcia revelou o lado científico, crítico e estruturado do conhecimento.
Do encontro entre esses dois mundos, nasceu algo novo dentro de mim.
A espiritualidade sem razão havia se tornado incompleta.
A razão sem espiritualidade, fria e limitada.
Mas a união dos dois me trouxe equilíbrio.
A partir de 2022, passei a enxergar a vida com outro olhar. Desenvolvi mais força interior, mais resistência, mais clareza. Aprendi a não desistir, a buscar o que é real, a questionar sem medo e a acreditar sem ingenuidade.
Hoje, continuo estudando. Ainda não estou trabalhando formalmente na área, mas estou em constante construção. Minha jornada não é de certezas absolutas, mas de busca consciente.
A Numerologia Cabalística deixou de ser apenas um conhecimento. Tornou-se missão.
Por meio dela, posso orientar pessoas a compreenderem seu caminho de vida, seus talentos, seus desafios e suas possibilidades. Posso ajudá-las a construir uma existência mais equilibrada, consciente e próspera — mental, financeira, espiritual e emocionalmente.
E, apesar de tudo o que vivi, nunca abandonei o princípio mais profundo que aprendi na religião:
“Ame o próximo como a si mesmo.”
Esse ensinamento me impede de julgar, de condenar, de desprezar quem pensa diferente. Ele me lembra que a verdadeira espiritualidade não está na imposição de crenças, mas na consciência, na ética e no respeito.
Minha história não é apenas sobre fé.
É sobre ruptura, busca, dor, conhecimento e transformação.
Se antes eu acreditava por medo, hoje eu compreendo por consciência.
Se antes eu seguia verdades impostas, hoje busco verdades fundamentadas.
E foi nesse caminho — entre o esotérico e o científico, entre a fé e a razão — que me tornei uma pessoa mais forte, mais lúcida e mais resistente diante da vida.
Esta é a minha jornada até aqui.